Crônica de um cueca abandonado

Querido Papai Noel,

Aqui quem fala é Gustavo, também conhecido como “o cara que o algoritmo dos apps de namoro já desistiu de recomendar pra alguém”. Resolvi escrever esta carta porque, sinceramente, o velho esquema de “ser uma boa pessoa e deixar a vida me surpreender” só tem me rendido boleto, gastrite e áudios de cinco minutos de coach no Instagram.

Então vamos aos fatos: este ano eu quero uma namorada. Mas não qualquer uma, porque se é pra pedir, eu vou aproveitar que o frete emocional já tá incluso.

Requisito 1: ser mulher.
Parece óbvio, eu sei. Mas 2025 tá aí, tudo é fluido, menos minha vida amorosa, que é completamente gasosa: some no ar. Então, só pra evitar confusões no setor de logística afetiva do Polo Norte, deixo registrado: mulher. Daquelas que ainda lembram o que é mandar mensagem com sujeito, verbo e predicado – ou pelo menos com ponto final.

Requisito 2: inteligência calibrada.
Não precisa ser gênio da NASA, mas também não pode achar que “kernel” é sabor de sorvete. Eu preciso de alguém inteligente o suficiente pra olhar minhas decisões e dizer:
“Amor, isso aí tá errado por A + B + C”,
mas ao mesmo tempo levemente desorientada o bastante para pensar:
“Ah, quer saber? Vou namorar esse maluco mesmo.”

Ou seja: QI acima da média, mas com um bug romântico no firmware.

Requisito 3: tem que ser gata, sim.
Antes que o RH do Polo Norte me cancele, deixa eu explicar: eu sou um homem simples. Eu vejo beleza, eu gosto. A diferença é que, enquanto o mundo tá discutindo padrões estéticos, eu só queria alguém que, quando sorrisse pra mim, fizesse meu cérebro dar um alt+tab nos problemas.

Não tô pedindo uma supermodelo internacional. Só alguém que eu olhe e pense: “é, se a vida é uma sequência de crashes, pelo menos o wallpaper é lindo.”

Requisito 4: sanidade mental opcional.
Veja bem, Papai Noel, não é que eu esteja desrespeitando a saúde mental. Longe disso. É que, honestamente, uma pessoa 100% equilibrada não tentaria namorar comigo. Ela veria meus logs emocionais, rodaria um journalctl -xe na minha história e diria:

“Olha, moço, seu sistema tá com muito alerta ‘deprecated’. Melhor eu não instalar nada aqui.”

Então, na prática, o que eu tô pedindo é alguém com uns parafusos soltos compatíveis com os meus. Não precisa vir com laudo, só com disposição pra rir das próprias tragédias e das minhas também.


Agora, você pode estar pensando:

“Gustavo, não é pedir demais?”

E eu respondo: Claro que é. Mas olha o currículo do cara que tá pedindo: um cueca abandonado, com doutorado em tomar decisão errada com convicção. Eu já tô naquele nível em que o universo olha pra mim e pensa:

“Vamos ver o que acontece se eu apertar esse botão aqui…”

E aperta.

Enquanto isso, meus amigos casam, separam, recasam, viram pais de pet, pais de planta, pais de boleto conjunto, e eu aqui, conversando com o próprio reflexo na tela desligada do notebook, filosofando sobre amor e DHCP.


Enfim, Papai Noel, não sei se você trabalha com esse tipo de pedido. Talvez eu tenha que abrir um chamado no suporte:

Categoria: Relacionamentos
Prioridade: Alta
Descrição: Usuário em loop infinito de carência e ironia, solicitando parceira compatível com bug emocional.

Se não der pra mandar a namorada, tudo bem. Manda pelo menos um patch de atualização pra minha autoestima, uma correção de vulnerabilidade no coração e um log claro explicando onde foi que eu aceitei os termos de uso dessa fase da vida.

Enquanto isso, sigo aqui: divagando, rindo de mim mesmo e assinando,

Atenciosamente,
Gustavo – Cueca Abandonado, Versão 1.0

P.S.: Se por acaso essa namorada existir e estiver lendo isso… relaxa. Eu sou atualizável. Só não vem sem backup.

Minha mais simples matemática: Conhecimento dividido é poder multiplicado!

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