Eco do silêncio admitido

Não é que eu tenha esperado um retorno. Ah, mesmo sabendo que não viria, alguma parte de mim ainda arrumou a casa. Limpei o chão das palavras, deixei a janela aberta.

Vai sendo-vento que não reconhece o próprio nome. Rio que não regressa-Mar.
Telefonei sem saber o que dizer, e foi isso o que me disse: nada.

Você estava de saída, eu também, embora não soubesse pra onde.
Você pra um lugar de ruído, eu pra um silêncio que não habito, mas em mim faz moradia.
E nesse intervalo, o que restou foi eu me calando sem testemunha, nem a sombra própria, sem ponteiros apropriados deglutidos pelo relógio. Um dos muitos ecos desse silêncio.

O pior da perda não é o vazio.
São os ecos que não soam. Quase o dia inteiro.
É ouvir dentro do peito tudo o que não foi dito. E esquecer na hora de falar, tudo que matutado antes no pensamento. É saber da perda de momentos, pela truncada memória ou pelo fim de nossa História. É perceber que o amor não termina com o outro indo embora, mas com a gente desistindo de continuar tocando em frente;
Eu quis ser plano, projeto, amendoim, poema, tanto me doer amar por perto por dentro e por onde, quando este é um “lugar”; não um texto, nem mensagem para sublimar.
No fundo, fui só humano. É o máximo que quero ser daqui pra frente.

E o humano, às vezes, é grotesco, disguzting:
Ama errado, insiste, tenta salvar o que já se afogou, sem direito de ser salvador, devaneio desde o recruta até o mais sábio Doutor. Depois se culpa por ter mergulhado junto. E aponta dedos, afia facas, atira pedras, cai na própria cilada. E enfim, levará junto pro abismo que tanto queria impedir de nos engolir.

Não existe idiota no amor, Só quem ficou até o fim da cena percebeu que o outro saiu antes do aplauso.

E após a dor, debate, ataque, é assim que termina: um ofegante “basta”. “Não vira”, “não dá”, tudo o mesmo suspiro pálido. 
Nada existiu já que a fuga de um ao outro é de si mesmo.
Exausto, agora, suplico descansar da tua ausência.

Não pra te esquecer mas pra voltar a existir como uma galáxia que perdeu seu eixo. Desintegro. Mas não sou feito disso. Eu não tenho o brilho de vocês, estrelas.

Vai quê o amor não acabe, só mude de direção.
E, se houver sorte, um dia eu olhe pra trás… apenas reconheça:

vivendo ali eu estava vivo,
e não me sentindo menos morto.

Baita diferença. Todo caso,
muito obrigado,
— Gustavo

Minha mais simples matemática: Conhecimento dividido é poder multiplicado!

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