OLHAR NESSES OLHOS SEUS

Algumas pessoas não cabem no mundo.
Mas deixam marcas que encaixam em nós.

Essas pessoas não são fáceis, ainda bem.
Um caos também afeto.
Todos seus defeitos, honestos.
E isso cativa deus e o diabo faça chuva ou faça sol.

Onde houver arte sem permissão,
extroversão sem medo
com ou sem plateia,
você continua.

Continua todo seu barulho que não se cabe em lugar nenhum
Todas as cores demais pra caber em moldura,
com o maior coração que já vi se caber tanto
mas não quis caber você em si mesma

Na sua mente, dos seus vastos labirintos
a gente tentando conduzir uma saída
(que eram várias)
você escolheu a sua própria
fato importante,
já que isso importava para ela
além disso seu nome é Amélia
agora ela é feita de Mel lá fora da Terra.

Algumas pessoas não cabem no mundo. Mas deixam o legado degustar de um breve suspiro, o doce e o amargo de uma mulher incrível.

Seu nome, Amélia.

Também é Mel.

E Mel não pesa, escorre, flui, de maneira sensual e fluídica seu nome é uma sílaba em expansão.

Algumas pessoas não cabem no mundo.

como um segredo que só o corpo etéreo das fadas entende.

Essas pessoas não são fáceis

porém seu barulho que agrada a deus e ao diabo

faça sol, faça chuva, faça vida.

Ah, minha querida…

Quando inventarem a língua das divas,

essa que conversa com os anjos

com aval e permissão,

eu te escreverei de novo.

Por enquanto, é só saudade.

E amor. Sempre meu amor será novo.

Assim como sempre será:

Inteira e intacta.

Indomável.

além de tudo dócil, por seus olhinhos ternos.

e hoje não sendo seu dia, Feroz, bruta pedra de uma íris em excesso.

Talvez por isso que você não quis caber em si mesma.

E quem sou eu pra reduzir

quem nasceu vastidão?

Na tua mente labirintos férteis

Guardei palavras bonitas no chapéu,

palavrões nos bolsos furados,

e no peito uma única sílaba

— você.

Hoje penduro o chapéu.

Deixo os palavrões caírem pelas esquinas.

No peito cabe a primavera inteira,

mas ainda assim

não caberia você, parceira.

Não quero mais as palavras mais lindas.

Quero inventar uma língua nova.

Uma que faça

as divas falarem com os anjos,

os incautos com os santos,

onde deus e o diabo

não disputem — escutem.

Esse muro que ergueram

não cai com murros.

Cai com tinta.

Com o néctar das tuas cores.

Desenhamos portas, janelas, corredores

e atravessamos a solidez bruta

num mel piscar de olhos.

Quem me enfeitou o mundo pra aliviar a barra foi você.

Quem deixou beleza adormecida

pra quando o amor despertar foi você.

E quando eu abrir os olhos

desse sono intranquilo,

em qualquer dia que não seja o meu,

vou querer só uma coisa:

olhar de novo

nos olhos de Amélia.

(olhar nesses olhos seus)

TE AMO.

Fica bem

pra onde flor que vá.

Obrigado, Paçoquinha, por juntar seu sorriso ao meu!

A língua das divas assim seja que está pronta e homologada, pois não precisa de dicionário nem gramática, suas palavras são flores e suas sílabas são pétalas, e a gramática não são regras, são o sopro da brisa e da ventania, a paz que você tanto queria, o acordo da natureza pura e bela, o equilíbrio arquitetônico que apenas nosso Senhor oferta, como se essas forças fossem uma cidade, como assim todos nessa vida só estamos de passagem.

Então tá bom, o resto será só felicidade!

minha carta de despedida para Amelia Montero de Melo

Minha mais simples matemática: Conhecimento dividido é poder multiplicado!