O DIA DA MARMOTA
O DIA DA MARMOTA

O DIA DA MARMOTA

* O DIA DA MARMOTA *

(Dedicado a dois Henriques que muito me ensinaram, ambos, acerca da luz e da sombra)

Queridos Henriques, alguns diriam que o Brasil necessita de uma convulsão dolorosa, dada a procrastinação do processo civilizatório desta Nação. Dado o paternalismo e o legado colonial, talvez sempre tenha sido delegado ao estrangeiro, o papel regulador dos nossos conflitos sociais. Jamais conquistamos o direito da autonomia pois aqueles, dissidentes desta espécie de pacto, são neutralizados brutalmente, desde a rebeldia dos malcriados brancos barões, feita às escuras, sendo que aqueles sem respaldo, párias, de maioria negros, de maioria pobres, que então à luz do dia, com o aval cínico de uma sociedade que almeja uma espécie de fascismo brando, talvez o mais violento, de todos os fascismos existentes no Globo, pois creio não haver nada mais psicótico ou esquizofrênico, do que esta ternura, cordial, da tortura, cotidiana.

Dado o cínico pacto de cordialidade donde se assina apenas a casta dominante, donde a mesma vende desde a luta diária da dona-de-casa pelo leite, ao pau-brasil, o pré-sal ou o nióbio, permanecemos nos portando frente ao estrangeiro como uma ótima oportunidade de investir, lucrar e portanto, explorar.

Donde emana o direito desta casta, de falar em nome daqueles que vivem uma realidade muito mais cruel e diversa, destes que cozinham as refeições, coletam o lixo, conectam as ligações, dirigem ambulâncias, os guardam enquanto em paz dormem em seus condomínios? E que paz e que sono gentil há neste país tão servil? Estamos, todos, fodidos. E estaremos fodidos enquanto tentarmos vencer alimentando um Ego holográfico que faz plim-plim, donde magicamente se resolvem todos os problemas pela neutralização brutal dos dissidentes, donde se alimentam nomes, heranças de passados gloriosos que jamais existiram. Ou esperanças que jamais se concretizarão. Enquanto os interesses pessoais se sobrepuserem à catástrofe coletiva, enquanto os mecanismos de regulação civilizatórios mais básicos, servirem a um Ego holográfico, dopado de uma espécie de Vontade de Potência que naufraga noutra margem; enquanto a ilusão de uma sociedade cordial, pacífica e igualitária, virtualmente sustentada por uma ordem absolutamente inexistente, prometer um progresso naquele milagre futuro, enquanto a caravela não chegar ao Hy-Brazil definitivamente, e definitivamente exterminar os índias, e definitivamente escravizar negros, e definitivamente explorar imigrantes, e definitivamente vender almas aos demônios, enquanto vigorar tal mentira, sempre, nossa saída, será pedir que o forte e esbelto estrangeiro coloque as coisas novamente, fora de ordem, dentro da Nova Ordem, mundial.

ENQUANTO A VISÃO ASSIMÉTRICA DE NOSSO CONTERRÂNEO IMPERAR, ASSIMETRIA QUE TRESPASSA AS BARREIRAS DO RACISMO, DA SOBERBA, DA AVAREZA, DA PREGUIÇA, DA INVEJA, DO ÓDIO — QUE É O MEDO — JAMAIS TEREMOS A HOMBRIDADE DE OLHAR PARA NOSSOS IRMÃOS ESTRANGEIROS, SERES HUMANOS QUAIS SUSTENTAMOS PELOS SÉCULOS E SÉCULOS SEU CRESCIMENTO E ACUMULAÇÃO DE RIQUEZA IRREFREÁVEL, ILIMITADA, CUJA MISSÃO, DESDE LEVAR O HOMEM BRANCO A LUA, ATÉ A CRIAÇÃO DO HOMEM BIÔNICO, SERVE APENAS PARA SUSTENTAR A CONDIÇÃO SUBALTERNA DE NOSSO EGO HOLOGRÁFICO, SUB-EGO. NOSSO REGULADOR PSÍQUICO É UM SUB-EGO. NÃO CONSEGUIMOS TOMAR SEQUER UMA DECISÃO SEM CONSULTAR, PONDERAR, CONSIDERAR, NOSSO QUERIDO IRMÃO ESTRANGEIRO SER-HUMANO QUAL, PASMEM, NÃO FORAM ESTES QUE NOS COLOCARAM NESTA SITUAÇÃO.

O medo do REGRESSO. O medo do CAOS. O medo. O medo. O medo.

Sim, você está certo. Não há rigor acadêmico em textos do Facebook, ou blogs, ou Orkuts, muitas vezes hoje em dia sequer em Universidades, tamanha a situação patética qual estamos lambuzados, tudo porquê um dia, a casta dominante, preferiu vender sua alma a demônios, que utilizaram suas almas e o sangue de seus serventes para festejar, putaria, para dopar-se, para pecar, para armar-se o suficiente para explorar os miseráveis mas não o suficiente para reagir contra seus supostos algozes. Só que nós somos nossos próprios algozes. Nós somos nossos maiores inimigos, e poderíamos ser nossos heróis, não a KGB, não a CIA, tampouco a Gestapo, mas nós, poderíamos assumir este papel. Me parece mais fácil delegar. Só que na História não há caminho mais fácil e muito menos expressões que mediante a oralidade se tornam triviais, visto que apenas são proferidas pelo emissor sem que este se atenha a uma análise minuciosa em relação à sua empregabilidade.

Por isso aqui não proponho uma solução, nem insinuo uma saída ou uma catarse. O que escrevo aqui não é ciência — nem poesia. Sequer estará sendo lido, provavelmente. Derramamento de SANGUE? Mais do que cotidianamente, quando a panela fica tão vazia ou quando aquele que deveria nos proteger, nos tortura, mata ou ridiculariza? Aqui aquele que deveria nos defender, é quem nos controla, aqui aquele que deveria nos representar, é quem nos trai, a Verdade morre no primeiro instante de qualquer batalha, posto que o segredo é conveniente e conivente com o cagaço geral de um país bilionariamente arregaçado, continentalmente introspecto, culturalmente confuso.

Não que nossos irmãos d’além tenham sido bem sucedidos em alcançar a Paz, ou a Justiça, ou a Liberdade. Mas eles erguem suas cabeças e MORREM se necessário, SANGRAM se necessário, até a última gota de Sangue, por sua Pátria, que faz sentido, já que ela os contempla, minimamente. Não, eles não erguem a cabeça por 7×1 ou pole-positions. Tudo tudo tudo que todos aqui sabem muito bem, não estou falando nada de novo, na última semana posso ter falado sim algumas novidades, mas que foram convenientemente ignoradas, por medo. Por deboche. Ignorância. Não que tenha cumprido algum papel; ou que minha honestidade valha para alguma coisa. Não estou cobrando ninguém de nada. Só acho, que tanto o pequeno Emílio e Macunaíma, precisam ambos morrer. A caravela precisa alcançar a plataforma continental gigante pela própria Natureza, o extermínio em massa deve acontecer, resumindo: NÃO HÁ COMO RETRATAR UM ERRO QUE NÃO SE CONCEBE, NÃO HÁ COMO ASSUMIR UMA RESPONSABILIDADE QUE É CINICAMENTE DELEGADA A OUTREM.

Não acho que a academia, a religião, a tecnologia ou a força bruta possam matar o pequeno Emílio e o Macunaíma. Eles parecem ser invencíveis por aqui.

O purgatório dos brancos, inferno dos negros, é justamente isso: uma outra dimensão, eterna, cíclica, que retornará over-and-over-and-over-again. Jamais se desmantelará, como o subEgo separatista sonha, jamais realizará o sonho milenarista de um Antonio Conselheiro. Penderá sempre do cientista de foguetes para Uri Geller numa fração de segundos, e isso é interessante, apenas do ponto de vista de um cientista maluco, alugável para qualquer finalidade.

A política é a relação entre os homens. Mentiras, traição, inveja, cobiça, calúnia, egoísmo, interesse pessoal, ao invés da verdade, da fidelidade, da hombridade, solidariedade e do interesse verdadeiro com o Bem de todos, impera no campo desta novela barata, de canastrões, vendidos, e aqueles que representavam uma fagulha de esperança, aqueles que representavam um caminho autonomo a seguir, novamente foram sileciados, por seus próprios conterrâneos, ambos, vítimas do subEgo holográfico de uma nação virtual.

Não há contradição — tudo foi posto fora do lugar intencionalmente desde a concepção. TODOS SABEMOS o organograma dessa bosta.
A hipnose mágica, nunca será quebrada. Somos o Sul da América. A macacada. Pois vivemos a ilusão de permanecer um bom selvagem, matando o Homem Coletivo; pois confundimos Liberdade com Libertinagem, pois poderíamos ter vivenciado uma Liberdade mais plena como NUNCA! Mas ela, uma vez ameaçada, de leve, fez nossas velhas veias e cicatrizes ainda abertas, sangrar. E novamente. E novamente. E novamente.

Por isso chamo este texto de DIA DA MARMOTA.
Por isso nossa História é um Feitiço do Tempo.

De tanta veracidade em minhas palavras, que nada também de novo para vocês aqui foi concebido.

Obrigado pela participação. Isto não é uma opinião. Não é um texto. Não houve sequer uma revisão do autor. Talvez tenha sido psicografado — talvez feito de coração e amor. Mas rimar, ainda resta, enquanto penduram nossas almas presas dentro de nós mesmos, que ignoramos uns aos outros, por vezes ridicularizamos uns aos outros, em nome de quem é o sub-sub ou infra-sub. Ou super-sub. Über-sub.

Este texto está no mural do Prof. Henrique Carneiro, mas eu dedico a você, povo brasileiro.

Como odeio teu ódio cínico, cordial, que tanto afaga enquanto açoita, PORRA! QUANDO CHEGARÁ AO DESTINO, NOSSO NAVIO NEGREIRO?

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